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Fome emocional é diferente de compulsão alimentar

Exagerar na comida durante uma festa de aniversário ou acabar repetindo um doce no final de um dia estressante é algo que pode acontecer com qualquer pessoa, e não há nada de anormal nisso. Muita gente confunde episódios de fome emocional ou eventual exagero alimentar com compulsão, mas não é bem assim.

Transtorno da Compulsão Alimentar caracteriza-se pela ingestão descontrolada de grande quantidade de alimentos, sem apetite e quase sem mastigar, até que seja alcançada a plenitude. O ato compulsivo é realizado inconscientemente e independente das qualificações intelectuais ou morais do paciente que, após praticá-lo, na tentativa de libertar-se de um estado insuportável de ansiedade, sente-se esgotado, constrangido e com intenso sentimento de culpa sem, no entanto, recorrer a atos compensatórios, como nos casos de bulimia nervosa.

O comer emocional, como é chamado na prática clínica, é um comportamento no qual a pessoa busca comida mesmo na ausência da fome física, que é fisiológica. Pode ser impulsionado tanto por sentimentos negativos quanto positivos.

Usualmente, são alimentos que caracterizam boas lembranças afetivas do passado e/ou trazem uma experiência hedônica, de intenso prazer, conforto e/ou alívio, ao serem ingeridos. 

Pode ocorrer em pessoas de diferentes faixas etárias, classes sociais e de ambos os sexos. Sua principal consequência é o aumento de peso, que acaba por se tornar prejudicial em outras dimensões da saúde do indivíduo.

Diagnóstico

No transtorno de compulsão alimentar observam-se pelo menos três dos seguintes aspetos:

  • Comer mais depressa do que o normal;
  • Comer até ficar desconfortavelmente cheio;
  • Comer às escondidas por vergonha;
  • Sentir-se desgostoso, deprimido ou muito culpado depois de comer;
  • Comer sem ter a sensação física de fome.

Quais são os riscos associados à compulsão alimentar?

  • Obesidade;
  • Diabetes tipo 2;
  • Hipertensão Arterial Sistêmica;
  • Cálculo Renal;
  • Apneia do sono;
  • Diminuição da capacidade respiratória;
  • Gastrite;
  • Refluxo;
  • Infertilidade; 
  • Insuficiência cardíaca e problemas vasculares;
  • Outros distúrbios como a bulimia, anorexia e depressão.

Dieta restritiva não é o caminho

Quanto mais a pessoa se restringe, maior o risco de ela ter um episódio compulsivo posteriormente, porque o cérebro que está passando pela restrição pode desencadear mecanismos de perda de controle que levam à compulsão. 

Como é o tratamento de compulsão alimentar?

Para o acompanhamento da compulsão alimentar, geralmente é realizado um trabalho em conjunto entre Médicos, Psicólogos e Nutricionistas. Para determinados casos, o apoio de um médico Psiquiatra pode ser recomendado.

O paciente com compulsão alimentar precisa passar por um processo de fortalecimento mental para entender o que causa essa compulsão e como ela pode ser controlada. Além disso, em alguns casos, ele precisa também passar por acompanhamento nutricional para a realização de uma dieta ou de um novo plano alimentar. O envolvimento da família é essencial para o sucesso do tratamento. 

A prática de atividades físicas também é importante no tratamento da compulsão alimentar, pois dessa forma é possível aliviar a ansiedade, melhorar o humor e desviar a atenção da comida.

Assim, podemos dizer que a relação com a alimentação é construída ao longo da vida, com influências genéticas, sociais, educacionais e culturais. Assim também é a relação de cobrança com relação à aparência e ao controle alimentar.

O transtorno alimentar pode levar alguém a uma vida muito conturbada. Tenha atenção às pessoas ao seu redor quando perceber algum comportamento compulsivo. Observe seus comportamentos também, pois se trata de uma doença séria e que precisa ser devidamente tratada.

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