O Março Lilás é uma campanha fundamental de promoção à saúde, dedicada à conscientização e prevenção do câncer do colo do útero — um dos tipos de câncer mais preveníveis quando identificado precocemente. Apesar disso, ainda representa um importante desafio de saúde pública no Brasil, especialmente devido ao acesso irregular aos exames preventivos e ao desconhecimento sobre as formas de prevenção.
Compreendendo o câncer do colo do útero
O câncer do colo do útero está diretamente relacionado à infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV), um vírus altamente prevalente, transmitido principalmente pela via sexual. Embora a infecção seja comum ao longo da vida reprodutiva, a evolução para o câncer ocorre apenas quando o vírus permanece no organismo por longos períodos, provocando alterações celulares que, sem tratamento, podem se transformar em lesões pré-cancerosas e, posteriormente, em câncer.
O aspecto mais relevante é: trata-se de um câncer evitável, tratável e com altas taxas de cura quando diagnosticado na fase inicial.
A importância da vacinação contra o HPV
A vacinação é uma das estratégias mais eficazes de prevenção. No Brasil, o SUS disponibiliza a vacina para:
- Meninas e meninos de 9 a 14 anos;
- Pessoas imunossuprimidas até 45 anos;
- Pessoas vivendo com HIV, pacientes transplantados e em tratamento oncológico.
A imunização reduz drasticamente a circulação dos tipos de HPV de maior risco e, consequentemente, diminui a incidência de lesões precursoras e casos de câncer do colo do útero. A adesão ao esquema vacinal é uma ação coletiva que protege não só o indivíduo, mas toda a comunidade.
Papanicolau: exame simples, rápido e que salva vidas
O exame citopatológico (Papanicolau) continua sendo o principal aliado na detecção precoce. Ele identifica alterações celulares antes mesmo de se tornarem lesões graves. A recomendação é que mulheres de 25 a 64 anos realizem o exame periodicamente, de acordo com orientação do serviço de saúde.
O Papanicolau é especialmente importante porque:
- Detecta lesões iniciais com alto potencial de cura;
- Permite intervenções precoces e menos invasivas;
- Reduz significativamente a mortalidade por câncer do colo do útero.
Promover o acesso, ampliar a cobertura e fortalecer a educação em saúde são estratégias indispensáveis para garantir que mais mulheres realizem o exame regularmente.
Práticas complementares de prevenção
Além da vacinação e do rastreamento, algumas medidas adicionais contribuem para reduzir o risco:
- Uso de preservativos em todas as relações sexuais;
- Redução do número de parceiros sexuais;
- Atenção aos sinais de alerta, como sangramentos vaginais anormais, dor pélvica persistente e corrimento incomum;
- Acompanhamento ginecológico contínuo.
A prevenção deve ser compreendida como um cuidado integral, que envolve informação, autocuidado e acesso a serviços de saúde de qualidade.
Por que o Março Lilás é tão importante?
A campanha reforça a necessidade de ampliar a discussão sobre saúde feminina, combater a desinformação e incentivar o autocuidado. Ao promover ações educativas, rastreamento ativo e orientação adequada, reduzimos desigualdades e fortalecemos a autonomia das mulheres sobre sua saúde reprodutiva.
O Março Lilás também representa uma oportunidade para instituições, profissionais de saúde e gestores reafirmarem seu compromisso com políticas de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento humanizado.
Prevenir é um ato de cuidado e responsabilidade
O câncer do colo do útero não precisa ser uma sentença. Ele pode ser evitado, detectado precocemente e tratado com sucesso. Durante o Março Lilás, reforçamos que a prevenção começa com informação, mas se concretiza no acesso aos serviços de saúde, na adesão ao exame preventivo e na vacinação.
Cuidar da saúde íntima é um gesto de responsabilidade, autonomia e amor-próprio. O Março Lilás existe para lembrar que toda mulher merece ser informada, acolhida e protegida.
Referências:
https://www.gov.br/ibc/pt-br/assuntos/noticias/marco-lilas-mes-de-prevencao-ao-cancer-de-colo-de-utero
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolos_atencao_basica_saude_mulheres.pdf



